Um dos livros que li
recentemente de autores com Prémio Nobel, foi “A Civilização do Espetáculo”, de
Mário Vargas Llosa (Prémio Nobel da Literatura em 2010).
Neste livro, o escritor
peruano “tira”, na minha opinião, uma magnífica e realista fotografia da
sociedade atual, onde há muita informação e pouco conhecimento. Alguns acham o
livro demasiado pessimista. Contudo, estou de acordo com o autor quando defende
que hoje a cultura é cada vez mais entretenimento e menos reflexão. Tudo aquilo
que exige esforço é descartado pelo imediato. Na civilização do espetáculo em
que vivemos, o que predomina é o superficial, o que diverte. Segundo Vargas
Llosa, esta tendência pode ser encontrada nas mais diversas áreas: desde as
artes plásticas, ao cinema e à literatura. Inclusivamente, esta “marca” está
presente, também, no jornalismo. O que interessa é que o produto venda. Há um
nítido predomínio da forma sobre o conteúdo.
Ao longo de seis
capítulos e uma reflexão final, o prémio Nobel, de uma forma mais ou menos
direta, tem sempre presente a ideia de decadência da sociedade, fruto da
frivolidade da cultura (ou da sua banalização) atual. Apresenta uma visão
pessimista da cultura. Não será certamente por acaso que começa por citar
autores como T. S. Eliot, George Steiner, Gilles Lipovetsky, por exemplo.
Atente-se no que Eliot escrevia no seu ensaio publicado em 1948 (Notas para uma
definição de cultura): "Não vejo razão alguma pela qual a decadência da
cultura não possa continuar e não possamos prever um tempo, de alguma duração,
que possa ser considerado desprovido de cultura". Llosa vai mais longe e
afirma: “Esse tempo é o nosso”. Eliot considerava que a
cultura era património de uma elite e por isso defendia que "É condição
essencial para a preservação da qualidade da cultura de minoria que ela
continue sendo uma cultura minoritária". Talvez se trate de uma visão um
pouco radical!
Nada melhor que ler o
livro e fazer a nossa análise.
É um exercício
intelectual que vale a pena. Até por que a escrita é simples e clara.
Álvaro Agostinho Pinto
dos Santos
Professor do Grupo 430
– Economia e Contabilidade

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