domingo, 2 de abril de 2017

O MEU NOBEL - 10 Álvaro Agostinho Santos fala de Vargas Llosa


Um dos livros que li recentemente de autores com Prémio Nobel, foi “A Civilização do Espetáculo”, de Mário Vargas Llosa (Prémio Nobel da Literatura em 2010).
Neste livro, o escritor peruano “tira”, na minha opinião, uma magnífica e realista fotografia da sociedade atual, onde há muita informação e pouco conhecimento. Alguns acham o livro demasiado pessimista. Contudo, estou de acordo com o autor quando defende que hoje a cultura é cada vez mais entretenimento e menos reflexão. Tudo aquilo que exige esforço é descartado pelo imediato. Na civilização do espetáculo em que vivemos, o que predomina é o superficial, o que diverte. Segundo Vargas Llosa, esta tendência pode ser encontrada nas mais diversas áreas: desde as artes plásticas, ao cinema e à literatura. Inclusivamente, esta “marca” está presente, também, no jornalismo. O que interessa é que o produto venda. Há um nítido predomínio da forma sobre o conteúdo.
Ao longo de seis capítulos e uma reflexão final, o prémio Nobel, de uma forma mais ou menos direta, tem sempre presente a ideia de decadência da sociedade, fruto da frivolidade da cultura (ou da sua banalização) atual. Apresenta uma visão pessimista da cultura. Não será certamente por acaso que começa por citar autores como T. S. Eliot, George Steiner, Gilles Lipovetsky, por exemplo. Atente-se no que Eliot escrevia no seu ensaio publicado em 1948 (Notas para uma definição de cultura): "Não vejo razão alguma pela qual a decadência da cultura não possa continuar e não possamos prever um tempo, de alguma duração, que possa ser considerado desprovido de cultura". Llosa vai mais longe e afirma: “Esse tempo é o nosso”. Eliot considerava que a cultura era património de uma elite e por isso defendia que "É condição essencial para a preservação da qualidade da cultura de minoria que ela continue sendo uma cultura minoritária". Talvez se trate de uma visão um pouco radical!
Nada melhor que ler o livro e fazer a nossa análise.
É um exercício intelectual que vale a pena. Até por que a escrita é simples e clara. 
Álvaro Agostinho Pinto dos Santos

Professor do Grupo 430 – Economia e Contabilidade

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