domingo, 2 de abril de 2017

PRÉMIO EXPRESSÃO VOX POPULI - TEXTO O texto do 1º lugar, de Inês Pinto

                                                                    ENUNCIADO:
O tempo que os jovens de hoje ocupam com as novas tecnologias e com a comunicação via Internet configura já frequentemente um fenómeno de dependência ou adição, com horas e horas colados aos ecrãs. Muitos jovens não são capazes de se desagarrar destes hábitos, afastando-se da leitura e do estudo por um lado e por outro lado dos hábitos saudáveis da vida em contacto com a natureza e com os outros. Numa crónica / texto de opinião de 300 a 400 palavras destinado(a) a um jornal local, desenvolve esta temática argumentando e defendendo a tua posição e adotando o tom que achares mais adequado.

TEXTO:
É já sabido por todos que vivemos na época das tecnologias. De facto, nos dias que correm, a juventude parece não saber viver sem os instrumentos tecnológicos que tanto invadem o mundo que nos rodeia. Quero dizer… Será que os jovens vivem sequer? É que, na verdade, viver a vida através de um ecrã tátil não se assemelha minimamente a experienciar o mundo real.
Atualmente damo-nos conta de uma juventude cada vez mais distraída. Para o confirmar, basta levantar-me da cadeira onde me encontro sentada, pousar o lápis com que escrevo e deslocar-me até à janela mais próxima.
A rua encontra-se tudo menos deserta. É hora de saída! Os miúdos saem da escola com a mochila numa mão e o telemóvel na outra, agarrando-o como se de uma pedra preciosa se tratasse. Muitos correm apressadamente para o carro. Já dentro do mesmo, deixam cair a mochila carregada de livros e desbloqueiam o telemóvel, prontos para enviar ao colega de carteira uma mensagem a dizer que se encontram já no respetivo automóvel, de regresso a casa. Arrisco-me a dizer que a maior parte deles não profere uma única palavra antes de se instalarem no assento confortável do carro. Nem um simples “boa tarde”. Outros esperam pela boleia dentro da escola. E porquê? Porque ao portão da mesma o sinal de Internet é fraco, quase nulo. Como resultado, temos pais chateados dentro das suas viaturas, parados à frente do estabelecimento escolar enquanto batem a mão no volante, contando os momentos que esperam já pelos filhos.
Surge-me então a resposta à questão colocada no primeiro parágrafo. Não, os jovens não vivem! Porque, enquanto se encontravam distraídos com o telemóvel, não se aperceberam da travagem brusca que fez o carro para não os atropelar na passadeira, pois não podiam falhar aquele nível do jogo que jogavam; nem repararam nas últimas folhas que caíam das árvores, já que, uma vez mais, se encontravam colados ao telemóvel a tirar uma selfie.

Para além de os jovens não apreciarem a beleza daquilo que os cerca, também as relações interpessoais com as respetivas famílias se vão extinguindo. Sim, porque até chegarem a casa nem uma palavra trocaram com o condutor, independentemente do grau de parentesco entre ambos, usando como justificação não poder deixar de responder às mensagens no Whatsapp. Caso contrário, perderiam o fio não à “meada” mas à conversa”.

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