ENUNCIADO:
TEXTO:
É já sabido por todos que vivemos
na época das tecnologias. De facto, nos dias que correm, a juventude parece não
saber viver sem os instrumentos tecnológicos que tanto invadem o mundo que nos
rodeia. Quero dizer… Será que os jovens vivem sequer? É que, na verdade, viver
a vida através de um ecrã tátil não se assemelha minimamente a experienciar o
mundo real.
Atualmente damo-nos conta de uma
juventude cada vez mais distraída. Para o confirmar, basta levantar-me da
cadeira onde me encontro sentada, pousar o lápis com que escrevo e deslocar-me
até à janela mais próxima.
A rua encontra-se tudo menos
deserta. É hora de saída! Os miúdos saem da escola com a mochila numa mão e o
telemóvel na outra, agarrando-o como se de uma pedra preciosa se tratasse.
Muitos correm apressadamente para o carro. Já dentro do mesmo, deixam cair a
mochila carregada de livros e desbloqueiam o telemóvel, prontos para enviar ao
colega de carteira uma mensagem a dizer que se encontram já no respetivo
automóvel, de regresso a casa. Arrisco-me a dizer que a maior parte deles não
profere uma única palavra antes de se instalarem no assento confortável do
carro. Nem um simples “boa tarde”. Outros esperam pela boleia dentro da escola.
E porquê? Porque ao portão da mesma o sinal de Internet é fraco, quase nulo.
Como resultado, temos pais chateados dentro das suas viaturas, parados à frente
do estabelecimento escolar enquanto batem a mão no volante, contando os
momentos que esperam já pelos filhos.
Surge-me então a resposta à questão
colocada no primeiro parágrafo. Não, os jovens não vivem! Porque, enquanto se
encontravam distraídos com o telemóvel, não se aperceberam da travagem brusca
que fez o carro para não os atropelar na passadeira, pois não podiam falhar aquele
nível do jogo que jogavam; nem repararam nas últimas folhas que caíam das
árvores, já que, uma vez mais, se encontravam colados ao telemóvel a tirar uma selfie.
Para além de os jovens não
apreciarem a beleza daquilo que os cerca, também as relações interpessoais com
as respetivas famílias se vão extinguindo. Sim, porque até chegarem a casa nem
uma palavra trocaram com o condutor, independentemente do grau de parentesco
entre ambos, usando como justificação não poder deixar de responder às
mensagens no Whatsapp. Caso contrário, perderiam o fio não à “meada” mas à
conversa”.
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